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Aumento nos preços das importações se mantém em novembro, aponta Icomex FGV/IBRE

19 NOV 2021

Rio de Janeiro – Até agosto, os saldos mensais da balança comercial de 2021 superavam os saldos referentes aos mesmos meses de 2020, mas depois a tendência se reverteu. Em outubro de 2021, o superávit de US$ 2 bilhões foi inferior ao de outubro de 2020 em US$ 2,4 bilhões. Não obstante, na série histórica dos saldos acumulados no ano até outubro, desde 1997, o superávit de 2021 é o maior valor registrado, US$ 58,5 bilhões.

Os menores saldos podem ser explicados pela dinâmica de variação das exportações e importações. Em valor, a variação interanual no mês de outubro foi de 27,6% para as exportações e de 54,9% para as importações. No acumulado do ano até outubro, as variações foram: 36,0% para as exportações e 38,3% para as importações. A análise da variação interanual do volume e preços dos fluxos de comércio ajudam a explicar esse resultado

A variação interanual mensal nos preços de exportações superou a das importações, ao longo do ano de 2021. No entanto, a partir de agosto/setembro, essa diferença diminuiu e, em outubro, a variação nos preços exportados foi de 27,0% e das importações de 25,4%.

No caso da comparação interanual em volume,  a variação das importações supera a das exportações, desde fevereiro. Ao longo do ano, porém, a variação do volume exportado foi desacelerando e chegamos em outubro com aumento de 0,8% no volume exportado e de 23,6% no importado.

Na comparação do acumulado do ano até outubro, a variação dos preços exportados foi de 30,2% e a das importações de 10,9%. Em volume, as exportações aumentaram 3,8% e as importações, 24,7%. O  comportamento dos preços de exportações e importações levou a uma queda nos termos de troca, a partir de junho de 2021. Entre junho e outubro, os termos de troca recuaram em 11%.

Na comparação com 2020, porém, os termos de troca registraram aumento de 17,5% entre o acumulado do ano até outubro. A variação interanual mensal mostra um aumento dos termos de troca até junho (30,3%), depois, o ritmo de crescimento desacelera e entre os meses de outubro de 2020 e 2021, a variação registrada é de 1,3%.

O aumento de preços, observado até outubro de 2021, está presente nas exportações e importações de commodities do Brasil. Observa-se que a participação das exportações de commodities é de 69% no total exportado e de 8,5% no total importado, no período de janeiro a outubro. Apesar da menor participação das commodities nas importações, chama a atenção o aumento de 73,8% na comparação dos meses de outubro, enquanto o das exportações foi de 35,8%. Em termos de volume, as importações aumentaram nas duas bases de comparação  e recuaram nas exportações.

No caso das não commodities, a participação nas exportações é de 31% e nas importações de 91,5%. A variação em volume das exportações de não commodities foi positiva nas duas bases de comparação, o que indica um melhor desempenho do que o das commodities, que foi negativa, como antes mencionado.

No caso das importações, a variação no acumulado do ano até outubro é próxima à das commodities. Em termos de preços, as variações das não commodities são inferiores às das commodities, seja nos fluxos de exportação ou importações.

Ressalta-se que a tendência de elevação nos preços importados, como analisado na edição do Icomex de outubro, permanece. São destacados os bens intermediários, que corresponderam a 75% das importações totais do Brasil, no acumulado do ano até outubro. Os maiores aumentos estão em produtos intermediários classificados na indústria de agropecuária, que correspondem a 37% do valor importado. No caso da indústria de transformação, o percentual é de 72%. Mesmo que o percentual na agropecuária seja menor, a elevação do preço, em dólares, junto com a desvalorização cambial eleva os custos de produção e contribui para a inflação.

Por último, o Icomex destaca o desempenho dos produtos de petróleo e derivados, que também constituem fontes de pressão inflacionária. Em outubro, os preços de importações aumentaram 81,3% e os das exportações, 55,4%. No acumulado do ano, porém, a variação dos preços exportados superam a das importações. Esse resultado ajuda a explicar o superávit desse agregado, de US$ 13 bilhões (janeiro-outubro de 2021), apesar do volume exportado ter recuado e o das importações crescido entre os acumulados do anos até outubro.

(*) Com informações da FGV/IBRE

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